terça-feira, 13 de julho de 2010

ERA UMA VEZ

Tudo mudou na rotina do pacato descampado relvado quando ele apareceu, misteriosamente, não se sabe de onde. A própria maldade curvava-se ante sua crueldade, ele transpirava perversidade. Conde Dagor era um vampiro, tinha porte físico avantajado, possuía expressão facial granítica, era decidido. Seus olhos grandes e castanhos metralhavam um brilho sobrenatural. Quando seus lábios carnudos moviam-se em um sorriso é que tinha-se idéia da extensão de sua malvadeza. Apossou-se do castelo de cristal no bosque das árvores secas, do qual contavam-se várias histórias chegando a cogitar ser mal assombrado. Estava abandonado a muitíssimo tempo. A cerca de 5000 anos atrás no início desta era, os antigos começaram a afastar-se do local chegando a esquecer o caminho para lá chegar, e curiosamente nesta mesma época é que começaram a surgir diversos mexericos e lendas sobre a edificação. O mago Guilmi nascera a 5000 anos, sendo assim, o ser mais velho ainda vivo e único representante da velha ordem. Ele nunca vira o castelo ser habitado. Alguns relatos afirmavam ser o local palco de um espetáculo de horror sem precedentes, uma verdadeira orgia pavorosa presidida por demônios, onde tinham lugar fatos repugnantes. Outros comentários falavam em estranhos seres a espera de desavisados viajantes. Certa vez o geniozinho Elias escapuliu às escondidas e foi inesperadamente de encontro ao castelo. Demorou 2 dias para lá chegar, o que viu deixou-o apavorado. Correu em disparada para longe, sua cabeça doía muito e tinha a sensação de que pesava uma tonelada, seus olhos estavam ardendo. Estava desorientado, as imagens piscavam sem parar em sua mente. Já cansado parou ao pé de uma grande árvore frondosa, sentou-se e pôs-se a chorar. Uma doce voz afagou seus ouvidos, como se proveniente do vento.

-Por que você chora menininho?

-Ãh? Disse inocentemente com olhar interrogativo.

-Por que você chora? A voz parecia vinda de todas as direções, em toda a sua inocência chegou a pensar que o vento falava.

-Quem esta falando? O medo o denunciava.

-Eu.

-Eu quem? Novamente assustado.

-Olhe para trás e ver-me-á.

Virou-se e viu um enorme vegetal, franziu o cenho e inclinou a cabeça, estava confuso.

-A única coisa que vejo é uma árvore - afirmou desapontado!

-Isso mesmo! Falou moderadamente.

-Meu nome é Viviane.

O gênio espantou-se.

-Não tema, não lhe farei mal algum, deve ter medo dos outros seres.

-Conte-me o que aconteceu.

-Meu nome é Elias sou um gênio, fugi de casa e encontrei o castelo de cristal e vi coisas horríveis. Neste momento chorou.

-Agora não sei o caminho para casa.

-Calma, calma.

Em toda a sua sabedoria soube ensinar-lhe o caminho correto. A personalidade de Viviane mudara bastante. Aos poucos Viviane foi incorporando a natureza do vegetal, experimentou sensações novas, seu pensamento abriu-se para um novo mundo, seu caráter evoluiu para algo melhor, estava irreversivelmente ligada à natureza. Percebia o vínculo que existia ente as árvores e as altas montanhas, entendeu então muitas coisas que antes nunca compreendera e que tantas vezes produziram ódio em seu coração. Compreendeu então que todos os seres e elementos eram feitos das mesmas substâncias sendo por isso iguais, irmãos, faziam parte de um mesmo processo. Tomou consciência de algo superior, de uma força maior no universo, então entendeu...

Ela possuía agora uma outra personalidade. Há muito tempo atrás, a ladra Viviane viveu entre sua gente, os bárbaros do alto das montanhas de pedra, bem acima das nuvens, em meio aos pedregulhos, era uma arruaceira, sempre pronta a brigar, tinha um mau caráter, zombava das deficiências físicas das pessoas, esbaldava-se em bebidas e quando em casa amanhecia pelos cantos junto aos detritos. Respeitava só o código dos ladrões, o qual nenhum bandido ousava desrespeitar, pois o mesmo constituía-se no único apoio que possuíam. A moça não era bem vista pelos bárbaros que chamavam-na de ”aquela ladrazinha”. Porém sua beleza fascinava a todos, tinha um corpo escultural, nariz fino, lábios pequenos, olhos escuros, negros cabelos cacheados. A ladra não tinha parada fixa. Estava sempre vagando de um lugar a outro, mas preferia o norte. No alto das montanhas nada se podia plantar, era preciso ir as terras baixas procurar alimento, os bárbaros tentaram ocupar estas regiões, mas foram expulsos. Desta vez, Viviane decidiu partir para o sul, desceu e enfrentou as adversidades. Existiam muitos perigos, caminhos íngremes, diversos tipos de animais, mas também existiam coisas boas, como pássaros, frutas frescas, e bem lá embaixo encontrou coelhinhos, única coisa capaz de sensibilizá-la. Andou muito até achar um casebre, entrou furtivamente, viu uma maravilhosa jóia azul em formato circular, com tamanho médio, levou-a. Chegando em casa o feiticeiro notou que a pedra não estava mais ali.

-Quem ousou roubar minha jóia? Concentrou-se e visualizou a cena, quando encontrou a ladra fez seu espírito repousar em uma árvore.

Quando Elias chegou em casa foi recebido por Mora aos prantos.

-Meu filho, meu filho! Onde você estava!!

Ele estava transtornado, chorava muito, aos poucos foi falando.

-Eu vi mãe! Soltou um suspiro, tinha o olhar assustado.

-Eu vi! Em seguida suspirou.

-O castelo.

A fada abalou-se fechando o punho direito e encostando-o na boca fechada. Abraçou o menino e passou a mão direita sobre sua cabeça. Cantou brandamente uma música de ninar.

-Não, não tenha medo! A mamãe esta aqui para te proteger! Quando eu acordar estarei nos braços de mamãe.

Soprou levemente no filho, que agora estava mais calmo.

Elias falou baixinho:

-Existiam demônios lá mamãe!

Elevou o tom de voz:

- Eram grandes e vermelhos, sem cabelos, tinham orelhas pontudas, andavam encurvados, urravam forte e devoravam algo ao redor do fogo.

Assim terminou seu relato, então tudo foi silêncio e nada mais. Os gênios eram filhos das fadas com os humanos. Os machos das fadas foram aniquilados em uma batalha contra o povo do sul comandado por Lilithi a 20 anos. Guilmi aconselhou a união com os humanos, daí surgiram os gênios, os quais possuíam baixa estatura, orelhas pontudas e transformavam-se em borboletinhas.

Em outra parte:

-Há enfim consegui livrar-me dos caçadores.

-Agora preciso encontrar uma moradia e servos, mas onde procurar?

Ergueu a mão direita em concha e começou a mover os dedos. Rumou para o pântano desolado. Inicia-se uma chuva branda, os pingos de água escorrem por sua pele, o cavalo põe a língua para fora e saboreia o líquido com gosto de nuvem. Encontra uma moça sentada no chão ao sabor do vento. Seu nome é Lilithi, a ninfa assassina. Foi aprisionada ali pela senhora do destino, uma espécie de juíza. A moça dividia espaço com as criaturas do lodo e com as árvores vivas que alimentavam-se do líquido viscoso do rio.

-Quem causou tamanha tristeza em tão bela jovem?

-Olhou-o triste, os olhos eram expressivos.

-Fui aprisionada aqui pela senhora do destino em pena aos crimes que cometi.

Logo o desejo de vingança e a sede de poder da ninfa, foram detectados pelo vampiro que então seduziu-a. Ele sorriu maliciosamente enquanto falava:

-E gostarias de vingar-te dela, minha preciosa?

O rosto dela expressou vingança.

-Sim eu gostaria muito. Disse profundamente.

-Ofereço-te poderes incalculáveis, e a possibilidade de vingar-te de teus inimigos. Aceitas o que proponho-te?

Ela respondeu com profundidade:

-Sim.

Então mordeu-lhe o pescoço e sugou seu sangue. Ela experimentou uma sensação muito intensa semelhante a um orgasmo. Ele passou a língua demoradamente em seu pescoço, chupou cada um dos dedos de suas mãos vagarosamente. Fizeram sexo ali mesmo, em meio as árvores. Deixou-a nua, deitou-a de bruços, passou-lhe a língua dos pés à cabeça. Os dois gemiam de prazer.

Lilithi tinha a pele azul e vestia-se de verde. Dagor expulsou os demônios do castelo e fez da ninfa seu general, juntos praticaram inúmeras atrocidades. O vampiro necessitava de servos, então saiu à procura de vítimas. Foi ao bosque onde três pessoas aproximavam-se em uma carroça transportada por dois belos cavalos. Havia duas mulheres e um homem, todos jovens. Ele surgiu à frente deles.

-Parem! Esticou o braço direito e abriu a mão.

-Agora vocês serão meus escravos.

Começou pela morena-clara, enterrou os caninos em seu pescoço, depois lambeu-o demoradamente, deixou-a sentada sem forças a um canto. Ela não emitia som algum. Aproximou-se da loira de cabelos cacheados e rosto redondo, a mesma encontrava-se em pânico, percebia-se por seu olhar assustado. O vampiro sugou o líquido vermelho, chupou os dedos das mãos um a um. Aquela carícia causava-lhe um prazer imenso, aproveitou bem o momento. Deixou-a no chão. Foi ao rapaz perfurou seu pescoço, mas não fez-lhe nenhuma carícia sensual. A partir daquele momento os jovens tornaram-se seus escravos. Dagor era implacável com seus servos, não tolerava erros, aos poucos sua conduta foi irritando os três, e somado a irritação existia o desejo crescente de poder, enraizado em suas mentes por intermédio do vírus Vampir. A natureza do vampiro começou a dominar suas personalidades, antes eles eram pessoas simples que alegravam-se com os pequenos prazeres da vida. Certa noite, reuniram-se ao pé de uma grande árvore:

-Por que não vamos embora daqui e fazemos nossos próprios escravos? Falou Hyosefh. A voz vinha do fundo da garganta como se em sussurros.

-Já estou farta daquele velho tirano! Esbravejou Cassandra.

-Por que não damos um fim nele? Ah Ah Ah! Gargalhou Anabell.

-É preciso prudência, algo que pelo visto falta a vocês.

-Temos duas opções, enfrentamos ele e corremos o risco de sermos destruídos, ou fugimos e talvez tenhamos a possibilidade de nunca mais sermos encontrados tendo assim, nosso próprio império.

Fugiram naquela mesma noite e chegaram ao cemitério das fadas. Existiam lá grandes estátuas femininas e muitas flores.

Alguns dias depois: Um grupo de salteadores passa pelo cemitério em meio ao bosque, de repente são atacados por três vampiros, cujos olhos estavam fixos como dos de zumbis, os monstros ofegavam uma horrenda sinfonia:

-Ah Ah Ah!

A única coisa que viam a sua frente era o sangue! Vermelho e quente.

Depois da vinda de Dagor começaram a ocorrer tragédias. Espalhou-se uma epidemia por vários vilarejos, os sintomas eram sempre os mesmos: Febre, dor de cabeça, tonturas e principalmente olhos vermelhos. O tempo parecia ter enlouquecido, enchentes aconteciam em profusão. Na terra dos Gnomos as plantações de avelãs violetas foram destruídas por uma repentina onda de frio, era a primeira vez que se via um frio fora de época, os animais selvagens estavam com um comportamento anormal. Começaram a praticar canibalismo. Algumas árvores começaram a secar. Guilmi foi consultado sobre os misteriosos eventos e falou:

-Tudo é obra do forasteiro, ele traz consigo uma nova praga, precisamos encontrá-lo. Guilmi escolheu então bravos guerreiros para ajudar-lhe. Entre eles, um anão e alguns humanos. O mago decidiu invocar Elóra uma divindade poderosíssima. Então lhe foi indicado que encontrasse o templo de gelo, lá encontrariam um mapa que levaria-os para o castelo de cristal. Fizeram como o indicado, mas quando chegaram ao castelo só encontraram Lilithi, Dagor partiu em busca de seus servos.

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